Ou Solteiras no Rio de Janeiro
O mulherio tá no maior fervo para programar uma noite de solteiros na sexta. Tem quem queira se esconder, quem sugira uma incursão ao convento de Santo Antonio, quem prefira se embriagar em casa. Eu já disse que pretendo ir pra uma festa de solteiros, no esquema "guerra é guerra" e arrumar um namorado pro uma noite. Como disse uma das meninas "adoro mentiras sinceras e amores relâmpago que terminam com o clarear do dia". Era mais ou menos isso. Como observou outra, por mais que sejam amores de uma noite, pelo menos sabemos que não vai ter cafajeste, pois não dá pra dar perdido na patroa no dia dos namorados.
Bom, sei que ficaram num bate-papo por e-mail o dia todo e, ao fim, Menina Graciana consolidou a programação em seu blog. Até já apareceram uns candidatos a acompanhante e até um candidato a ser amarrado, drogado com viagra e aproveitado por 12 mulheres loucas por dias a fim. Pobre de cristo deste moço. Sei não. Sei que nossa programação está lá e é aberta a adesões. De preferência, de solteiros bonitos.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Tudo safado
Até hoje ninguém me mandou as fotos do chope. Acho que vou ter que abrir a mão e comprar uma câmera se quiser fotos dos nossos convescotes.
O mundo é estranho
Entrei na agência do Itaú do Bairro de Fátima por volta de 14h de domingo pra fazer um saque. Tô lá num dos caixas e logo em seguida para um rapaz com uma garotinha na máquina ao lado. Ouço ele dizer pra menina "vamos sair daqui que tem macumba, vamos" e passou pro guichê do meu outro lado. Eu, repórter e fofoqueira que sou, perguntei "macumba? como assim macumba?". Ele me mandou olhar. Tinha um alguidar com frutas e moedas no cantinho. Sim, arriaram uma obrigação no caixa eletrônico!
Fico imaginando a imagem gravada na câmera de segurança com o cidadão se abaixando pra colocar o alguidar no chão. Será que ele disfarçou até estar vazio ou nem se abalou e fez na frente de todo mundo? Será que é pra trazer prosperidade aos correntistas daquela agência ou o contrário?
Como sempre digo, o mundo é estranho.
Fico imaginando a imagem gravada na câmera de segurança com o cidadão se abaixando pra colocar o alguidar no chão. Será que ele disfarçou até estar vazio ou nem se abalou e fez na frente de todo mundo? Será que é pra trazer prosperidade aos correntistas daquela agência ou o contrário?
Como sempre digo, o mundo é estranho.
Tristeza que segue
Agora vou dormir. Amanhã tenho mil coisas pra resolver, inclusive pagar meu aluguel que venceu na sexta e foi esquecido na confusão. Amanhã é outro dia e vida que segue, sempre.
Ah, não quero falar sobre o assunto. Se quiserem comentar no blog, ok, mas não esperem resposta. Não quero que me telefonem pra falar disso. Se me encontrarem, não toquem no assunto, por favor. Não existe nada que você diga que vá mudar alguma coisa. Não existe nada que vc diga que vá me consolar. Só vai me lembrar e me cansar.
Ah, não quero falar sobre o assunto. Se quiserem comentar no blog, ok, mas não esperem resposta. Não quero que me telefonem pra falar disso. Se me encontrarem, não toquem no assunto, por favor. Não existe nada que você diga que vá mudar alguma coisa. Não existe nada que vc diga que vá me consolar. Só vai me lembrar e me cansar.
domingo, 7 de junho de 2009
Tristeza infinita IV
Claro que não dormi. Dormitei e pesadelei. O carro ia passar pra me pegar às 9h para seguirmos pro cemitério em Sulacap. Levantei às 7h30, já que não dormia mesmo. Pelo jeito, o motorista também não, pois chegou às 8h50. Pegamos Mendonça e fomos. Engarrafamento. Chegamos lá às 10h30. O corpo ainda não tinha chegado. O Alex já tava lá desde antes das 10h, além do avô.
Fomos resolver a parte burocrática e depois esperar as pessoas chegarem. Vieram os amigos do Cachambi e os de São João de Meriti, os amigos do futebol, os amigos da repartição. Veio muita gente. Meu cunhado e minha irmã estavam acabados.
No dia anterior eu segurei bem, chorei discretamente, só desabei de chorar quando estava sozinha em casa. Quase sempre eu seguro a onda. Mas lá no cemitério, quando vi minha irmã chorando, quando abracei minha irmã não segurei mais. Chorei até não ter mais lágrimas. Devia ter me drogado antes de sair de casa. As pessoas tentavam me convencer de sei lá o que, mas nada adiantava. Quanto mais eu via a família chorar, mais desconsolada ficava.
Depois do enterro, perguntei a Mendonça "Vamos almoçar e encher a cara?". "Que mais nos resta", ele respondeu. Nem almoçamos, só bebemos. Quando cheguei em casa, depois das 22h, chorei como nunca tinha chorado. Quando não aguentava mais chorar, liguei para única pessoa no mundo que sabe me consolar, que sabe me acalmar. Nos momnentos difíceis, quando estou desesperada, sempre ligo para ele. Ele diz sempre "Calma menina bonita, tudo vai ficar bem". Pronto, basta. Ele nunca mentiu para mim e se está dizendo que tudo vai ficar bem é porque vai ficar. Eu me acalmo e paro de chorar. Celular desligado. Tomei um rivotril e deitei. Lá pra uma da manhã, ele ligou o celular e viu minhas ligações perdidas. Perguntou se eu queria que ele fosse pra minha casa, tentou me consolar. Eu tava chapada e nem falava coisa com coisa. Agradeci, mas disse que não precisava, eu ia dormir. Chapei.
Acordei ao meio-dia de domingo e decidi que não queria ir a lugar nenhum nem ver ninguém. Saí pra andar na rua e voltei. Comi uma lasanha congelada e chorei depois de cada vez que minha irmã ligou. Ela queria que eu fosse almoçar com ela, mas se fosse ia chorar mais ainda. Preferi ficar em casa.
Nem sei porque escrevi isso tudo. Acho que precisava contar, mas como não quero falar com ninguém, escrevi. O blog não tenta me consolar, não me diz que blábláblá. Não quero ouvir ninguém. Não quero falar com ninguém. Quero ficar sozinha.
Fomos resolver a parte burocrática e depois esperar as pessoas chegarem. Vieram os amigos do Cachambi e os de São João de Meriti, os amigos do futebol, os amigos da repartição. Veio muita gente. Meu cunhado e minha irmã estavam acabados.
No dia anterior eu segurei bem, chorei discretamente, só desabei de chorar quando estava sozinha em casa. Quase sempre eu seguro a onda. Mas lá no cemitério, quando vi minha irmã chorando, quando abracei minha irmã não segurei mais. Chorei até não ter mais lágrimas. Devia ter me drogado antes de sair de casa. As pessoas tentavam me convencer de sei lá o que, mas nada adiantava. Quanto mais eu via a família chorar, mais desconsolada ficava.
Depois do enterro, perguntei a Mendonça "Vamos almoçar e encher a cara?". "Que mais nos resta", ele respondeu. Nem almoçamos, só bebemos. Quando cheguei em casa, depois das 22h, chorei como nunca tinha chorado. Quando não aguentava mais chorar, liguei para única pessoa no mundo que sabe me consolar, que sabe me acalmar. Nos momnentos difíceis, quando estou desesperada, sempre ligo para ele. Ele diz sempre "Calma menina bonita, tudo vai ficar bem". Pronto, basta. Ele nunca mentiu para mim e se está dizendo que tudo vai ficar bem é porque vai ficar. Eu me acalmo e paro de chorar. Celular desligado. Tomei um rivotril e deitei. Lá pra uma da manhã, ele ligou o celular e viu minhas ligações perdidas. Perguntou se eu queria que ele fosse pra minha casa, tentou me consolar. Eu tava chapada e nem falava coisa com coisa. Agradeci, mas disse que não precisava, eu ia dormir. Chapei.
Acordei ao meio-dia de domingo e decidi que não queria ir a lugar nenhum nem ver ninguém. Saí pra andar na rua e voltei. Comi uma lasanha congelada e chorei depois de cada vez que minha irmã ligou. Ela queria que eu fosse almoçar com ela, mas se fosse ia chorar mais ainda. Preferi ficar em casa.
Nem sei porque escrevi isso tudo. Acho que precisava contar, mas como não quero falar com ninguém, escrevi. O blog não tenta me consolar, não me diz que blábláblá. Não quero ouvir ninguém. Não quero falar com ninguém. Quero ficar sozinha.
Tristeza infinita III
Quase 22h, conseguimos liberar o corpo e sair do hospital. Deixamos a repórter em casa. Ainda atordoada, a pobre ficou lá com a gente o tempo todo. Nunca vou esquecer o rosto dela quando eu contei que ele tinha morrido. Eu disse "Julia, eu tô me sentindo culpada, eu que arrumei esse emprego pra ele" e ela "Roberta, e eu que pedi pra fazer outro caminho?". Nos abraçamos e choramos discretamente, para não ofender a dor legítima da família.
Passamos na repartição pra pegar copias dos documentos do rapaz e fomos pro IML. Outro périplo burocrático sem sentido. O corpo tinha chegado há pouco, mas se não houvesse sei lá quais documentos, só seria liberado no dia seguinte. Precisavam de um parente direto, pai, mãe ou irmão. Nos entendemo, mas não vamos esperar nem vamos trazer a família. Eu sou a tia.
O cara que me atendeu na parte de dentro do prédio era algo entre idiota, trincado ou alienígena. Fungava e coçava a barriga. Não entendia o que eu dizia e perguntava a mesma coisa três ou quatro vezes. Queria a minha certidão de nascimento pra conferir a filiação e sobrenomes. "Você não entendeu ainda? Nâo sou parente direta, não tenho o mesmo sobrenome dele". "Você casou com o pai do falecido?". "Não, minha irmã casou". "Então você casou com o falecido?". "Não, o pai dele é meu cunhado". "Então você não é tia dele". "Não, eu te disse isso logo que cheguei".
Aí ele decidiu que precisava de uma cópia da minha carteira de identidade. "É preciso realmente? Sou funcionária pública federal, não saio por aí roubando cadáveres em IMLs". "É preciso", foi taxativo. "Então vou buscar em casa, moro aqui perto". "Não é mais fácil a senhor tirar uma cópia aí fora?". "Moço, são meia-noite de sexta-feira. Onde eu vou arrumar uma máquina de xerox? O senhor pode tirar pra mim aí?". "Aqui não". Fui em casa buscar a cópia do documento. Ele levou uma hora pra preencher um formulário idiota com os dados do falecido e os meus. Eu levaria 15 minutos pra fazer aquilo. Terminada esta tarefa, era a hora do reconhecimento. Mendonça me poupou desta. Ele disse que sabia que era o Ronaldo, mas que não reconhecia o rosto sem vida.
Agora só restava esperar o agente funerário. "Quero uma cópia do crachá do agente funerário". "Moço, onde vamos arrumar isso a essa hora?". "Tem que ter, ele sabe disso". "Ele sabe, mas foi uma emergência". Foi o agente funerário pela noite da Lapa tentar tirar uma cópia do crachá. Voltou meia-hora depois sem ter conseguido. Após um resmungo, o barnabé se conformou "então tá, me traz amanhã". Fomos nós no estacionamento outra vez. Ele calçou luvas e foi transferir o corpo pra van da funerária. Virei de costas. Nisso, chegou Alex, o melhor amigo do pai do rapaz, que iria até a funerária cuidar desta etapa. Entregamos a ele os documentos e pertences, inclusive o crachá ensanguentado.
Como Alex assumiria daí pra frente, eu, Mendonça e Dona Mendonça, fomos comer alguma coisa e tentar nos embebedar, pois era a única coisa que nos restava. Já eram duas da manhã.
Passamos na repartição pra pegar copias dos documentos do rapaz e fomos pro IML. Outro périplo burocrático sem sentido. O corpo tinha chegado há pouco, mas se não houvesse sei lá quais documentos, só seria liberado no dia seguinte. Precisavam de um parente direto, pai, mãe ou irmão. Nos entendemo, mas não vamos esperar nem vamos trazer a família. Eu sou a tia.
O cara que me atendeu na parte de dentro do prédio era algo entre idiota, trincado ou alienígena. Fungava e coçava a barriga. Não entendia o que eu dizia e perguntava a mesma coisa três ou quatro vezes. Queria a minha certidão de nascimento pra conferir a filiação e sobrenomes. "Você não entendeu ainda? Nâo sou parente direta, não tenho o mesmo sobrenome dele". "Você casou com o pai do falecido?". "Não, minha irmã casou". "Então você casou com o falecido?". "Não, o pai dele é meu cunhado". "Então você não é tia dele". "Não, eu te disse isso logo que cheguei".
Aí ele decidiu que precisava de uma cópia da minha carteira de identidade. "É preciso realmente? Sou funcionária pública federal, não saio por aí roubando cadáveres em IMLs". "É preciso", foi taxativo. "Então vou buscar em casa, moro aqui perto". "Não é mais fácil a senhor tirar uma cópia aí fora?". "Moço, são meia-noite de sexta-feira. Onde eu vou arrumar uma máquina de xerox? O senhor pode tirar pra mim aí?". "Aqui não". Fui em casa buscar a cópia do documento. Ele levou uma hora pra preencher um formulário idiota com os dados do falecido e os meus. Eu levaria 15 minutos pra fazer aquilo. Terminada esta tarefa, era a hora do reconhecimento. Mendonça me poupou desta. Ele disse que sabia que era o Ronaldo, mas que não reconhecia o rosto sem vida.
Agora só restava esperar o agente funerário. "Quero uma cópia do crachá do agente funerário". "Moço, onde vamos arrumar isso a essa hora?". "Tem que ter, ele sabe disso". "Ele sabe, mas foi uma emergência". Foi o agente funerário pela noite da Lapa tentar tirar uma cópia do crachá. Voltou meia-hora depois sem ter conseguido. Após um resmungo, o barnabé se conformou "então tá, me traz amanhã". Fomos nós no estacionamento outra vez. Ele calçou luvas e foi transferir o corpo pra van da funerária. Virei de costas. Nisso, chegou Alex, o melhor amigo do pai do rapaz, que iria até a funerária cuidar desta etapa. Entregamos a ele os documentos e pertences, inclusive o crachá ensanguentado.
Como Alex assumiria daí pra frente, eu, Mendonça e Dona Mendonça, fomos comer alguma coisa e tentar nos embebedar, pois era a única coisa que nos restava. Já eram duas da manhã.
Tristeza infinita II
Fui avisada no celular pelo pessoal do trabalho dele, pois não tinham o contato do pai e sabiam que minha irmã não é uma pessoa para quem se dá uma notícia dessas. Até então só sabíamos que o Naldinho tinha levado um tiro e tava em uma clínica em Vaz Lobo. Eu liguei pro pai dele pra avisar. Como se diz para um pai que o filho dele levou um tiro? Não sei, mas eu disse. Eu adoro meu cunhado mas tive que dizer isso pra ele.
Atordoada, saí do trabalho e peguei um táxi pra tal da Climed. Tudo engarrafado, não sabia que Vaz Lobo era tão distante, afinal eu já tava na Av. Brasil. No caminho, ia tentando obter notícias por celular. Meu coração tava tão apertado pelo rapaz, que eu conhecia desde criança, como pelo pai dele, dirigindo sozinho pra lá sem saber se o filho tava vivo.
Quando cheguei na clínica, meu cunhado e Mendonça já tavam lá. O rapaz tinha sido transferido pro Hospital Getúlio Vargas há alguns instantes. A repórter, com quem trabalhei, tinha ido à delegacia prestar depoimento. Deixei Mendonça cuidando dos trâmites burocráticos e fui pro HGV com meu cunhado. Tivemos uma crise de choro abraçados, mas recobramos o prumo, pois havia muita coisa a fazer.
Ligamos pro irmão do meu cunhado, que tava fora da cidade e voltou imediatamente. Do HGV avisamos à mãe e irmã do rapaz. Combinamos não avisar à minha mãe, a avó e a bisavó do Naldinho, pois todas têm mil problemas de saúde e iam passar mal, deixaríamos pra dizer que tava tudo bem, pra falar pessoalmente quando voltássemos pra casa. Nosso medo era que a imprensa noticiasse e elas soubessem pela TV. Para não ficar expostos à curiosidade alheia, levamos todos para a cantina do hospital, aguardando notícias entre um café e outro.
Desde que cheguei na clínica em Vaz Lobo, de alguma maneira eu sabia que ele não ia resistir, mas não queria admitir. Eu me forçava a ter esperança e me enganar que ele ficaria vivo, que ele sobreviveria. Era um rapaz jovem e forte. No HGV, a cada notícia contraditória dos médicos, mais eu me enganava que ele ia sobreviver, ao mesmo tempo que no fundo mais eu sabia que ele não ia sobreviver.
A cada parente que chegava e eu ia buscar do lado de fora do hospital antes que fossem abordados pelos repórteres, eu sentia uma vergonha e uma culpa infinitas e irremediáveis, pois no íntimo me sentia responsável e achava que cada um me olhava sabendo que a culpa era minha.
Depois da notícia que havia terminado a segunda cirurgia e ele ia ser transferido pro CTI cheguei a respirar aliviada. O chefe do plantão da noite chamou Mendonça. A conversa demorou. Eu tentava tranquilizar a família, mas tava gelada e com dor no estômago. Quando Mendonça chegou e me chamou num canto, eu soube. Quando Mendonça segurou meus braços sem dizer nada por instantes infinitos, eu soube. Mas enquanto ele não disse, não me permiti acreditar. Chamei o tio e falei, levei pra conversar com o médico. Não tive coragem de dizer para os pais. Chamei os pais e levei para a sala do médico, saí e fechei a porta. Eles que contassem, disso eu não tive coragem. Do lado de fora a notícia se espalhou e pelo choro todos ficaram sabendo.
Tive que tirar todos do local, pois o corpo ia passar por ali. Levei todo mundo pra sala de informações, que é envidraçada. A imprensa filmando do lado de fora. Precisamos contar logo para as avós. Preciso tirar eles desta vitrine. Fui ver se o corpo já tinha passado pra gente voltar pra cantina. Tava passando. Esperei alguns instantes pra ter certeza que eles não veriam nada e os trouxe de volta pra cantina. Enquanto isso, Mendonça se informava quais os próximos passos. Precisávamos aguardar a liberação do corpo no hostitap e a 27DP mandar o rabecão para levar o corpo pro IML. Aconselhamos à família ir pra casa que nós resolveríamos tudo.
Mendonça cuidou desta parte. Um périplo por formulários, papéis e salinhas sujas e sórdidas onde se assinava livros ensebados e se ouvia pérolas. Mendonça disse que se sentiu o Waldomiro Pena, lidando com aquele emaranhado burocrático de inspetores e barnabés.
Ao lado da cantina, fui tentar telefonar pra minha mãe, pra dizer que ela não se preocupasse, pois minha irmã tava comigo. Também tentei enviar um torpedo para O Orientador, com quem eu ia viajar e dei um perdido. Meu celular Claro não pegava lá, tentei subir um pouco mais a ladeirinha e tive o desprazer de ver o rabecão com as portas abertas e os corpos dentro. Em uma daquelas caçambas estava ele.
Atordoada, saí do trabalho e peguei um táxi pra tal da Climed. Tudo engarrafado, não sabia que Vaz Lobo era tão distante, afinal eu já tava na Av. Brasil. No caminho, ia tentando obter notícias por celular. Meu coração tava tão apertado pelo rapaz, que eu conhecia desde criança, como pelo pai dele, dirigindo sozinho pra lá sem saber se o filho tava vivo.
Quando cheguei na clínica, meu cunhado e Mendonça já tavam lá. O rapaz tinha sido transferido pro Hospital Getúlio Vargas há alguns instantes. A repórter, com quem trabalhei, tinha ido à delegacia prestar depoimento. Deixei Mendonça cuidando dos trâmites burocráticos e fui pro HGV com meu cunhado. Tivemos uma crise de choro abraçados, mas recobramos o prumo, pois havia muita coisa a fazer.
Ligamos pro irmão do meu cunhado, que tava fora da cidade e voltou imediatamente. Do HGV avisamos à mãe e irmã do rapaz. Combinamos não avisar à minha mãe, a avó e a bisavó do Naldinho, pois todas têm mil problemas de saúde e iam passar mal, deixaríamos pra dizer que tava tudo bem, pra falar pessoalmente quando voltássemos pra casa. Nosso medo era que a imprensa noticiasse e elas soubessem pela TV. Para não ficar expostos à curiosidade alheia, levamos todos para a cantina do hospital, aguardando notícias entre um café e outro.
Desde que cheguei na clínica em Vaz Lobo, de alguma maneira eu sabia que ele não ia resistir, mas não queria admitir. Eu me forçava a ter esperança e me enganar que ele ficaria vivo, que ele sobreviveria. Era um rapaz jovem e forte. No HGV, a cada notícia contraditória dos médicos, mais eu me enganava que ele ia sobreviver, ao mesmo tempo que no fundo mais eu sabia que ele não ia sobreviver.
A cada parente que chegava e eu ia buscar do lado de fora do hospital antes que fossem abordados pelos repórteres, eu sentia uma vergonha e uma culpa infinitas e irremediáveis, pois no íntimo me sentia responsável e achava que cada um me olhava sabendo que a culpa era minha.
Depois da notícia que havia terminado a segunda cirurgia e ele ia ser transferido pro CTI cheguei a respirar aliviada. O chefe do plantão da noite chamou Mendonça. A conversa demorou. Eu tentava tranquilizar a família, mas tava gelada e com dor no estômago. Quando Mendonça chegou e me chamou num canto, eu soube. Quando Mendonça segurou meus braços sem dizer nada por instantes infinitos, eu soube. Mas enquanto ele não disse, não me permiti acreditar. Chamei o tio e falei, levei pra conversar com o médico. Não tive coragem de dizer para os pais. Chamei os pais e levei para a sala do médico, saí e fechei a porta. Eles que contassem, disso eu não tive coragem. Do lado de fora a notícia se espalhou e pelo choro todos ficaram sabendo.
Tive que tirar todos do local, pois o corpo ia passar por ali. Levei todo mundo pra sala de informações, que é envidraçada. A imprensa filmando do lado de fora. Precisamos contar logo para as avós. Preciso tirar eles desta vitrine. Fui ver se o corpo já tinha passado pra gente voltar pra cantina. Tava passando. Esperei alguns instantes pra ter certeza que eles não veriam nada e os trouxe de volta pra cantina. Enquanto isso, Mendonça se informava quais os próximos passos. Precisávamos aguardar a liberação do corpo no hostitap e a 27DP mandar o rabecão para levar o corpo pro IML. Aconselhamos à família ir pra casa que nós resolveríamos tudo.
Mendonça cuidou desta parte. Um périplo por formulários, papéis e salinhas sujas e sórdidas onde se assinava livros ensebados e se ouvia pérolas. Mendonça disse que se sentiu o Waldomiro Pena, lidando com aquele emaranhado burocrático de inspetores e barnabés.
Ao lado da cantina, fui tentar telefonar pra minha mãe, pra dizer que ela não se preocupasse, pois minha irmã tava comigo. Também tentei enviar um torpedo para O Orientador, com quem eu ia viajar e dei um perdido. Meu celular Claro não pegava lá, tentei subir um pouco mais a ladeirinha e tive o desprazer de ver o rabecão com as portas abertas e os corpos dentro. Em uma daquelas caçambas estava ele.
Tristeza infinita
Na sexta à noite morreu o filho do meu cunhado, enteado da minha irmã. Ele foi baleado em um assalto sem sequer reagir. Os bandidos atiraram antes deles saírem do carro e miraram também na jornalista que tava com ele. Felizmente, ela escapou.
A história toda já foi contada pelo Mendonça, não preciso repetir. O que só eu sei é como estou me sentindo. Eu que tinha indicado ele para a vaga de motorista na minha ex-repartição. Ele tinha 21 anos e até então trabalhava na loja do tio, nunca tinha tido emprego "de verdade", ainda não tinha nem carteira de trabalho. Tava todo orgulhoso, comprou camisas de botão novas pra ir trabalhar. Não recebeu nem o primeiro salário, com o qual ele pretendia dar um churrasco pros amigos pra comemorar o emprego, pagar as contas e dar o restante pra mãe.
Agora ele tá morto e enterrado e eu me sinto culpada. Eu sei que não tenho culpa, que foi uma tragédia aleatória, como tantas outras. Sei que o caso dele não é diferente dos outros baleados em assaltos que vi chegar no hospital enquanto esperava notícias dele. Racionalmente, sei que é simplesmente uma questão de sorte ou azar. Como sou agnóstica e não acredito em deus, destino, alma, espírito, desígnios divinos, sei que é simplesmente, meramente, sorte ou azar, por mais duro que isso pareça. Não vou fingir que acredito que "era o destino", "era a hora dele", "ele foi pra um lugar melhor", "foi a vontade de Deus", "Deus sabe o que faz", "ele está na paz infinita" ou sei lá o que das frases que me ouvi. Sei que todos queriam me confortar. Sei que é muito menos dolorido acreditar nisso. Mas, infelizmente, isso não é pra mim. Ele simplesmente não vive mais e o lugar pra onde ele foi é pra baixo da terra, se decompondo em um caixão frio.
Sei perfeitamente que ele deu azar de passar ali naquela hora. Sou muito prática e racional, afinal, não acredito em Deus porque não faz sentido e não é explicável. Mas sou gente que nem todo mundo e gente também não faz sentido. Apesar de saber de tudo, emocionalmente não consigo deixar de me sentir responsável. De pensar que eu não tinha nada que ter me metido na vida dele. Não consigo deixar de pensar que preferia ele desempregado e vivo. Não esqueço do sorriso dele no almoço do dia das mães me agradecendo a oportunidade.
Eu sei que minha dor não se compara à do pai, da mãe, da irmã, dos tios, dos avós, da bisavó dele e até da madrasta, a minha irmã. Mas só eu sei como estou me sentindo. Meu rosto já tá machucado de tanto chorar e não consigo parar. Não consigo parar de pensar no sorriso dele de aparelho nos dentes. Não consigo parar de pensar que se eu não tivesse me metido na vida dele, hoje provavelmente ele estivesse vivo. Não consigo parar de pensar que agora não existe nada que eu possa fazer, que não tem como voltar atrás, que eu tô viva e ele tá morto.
Sei que ninguém prometeu que o mundo seria justo e que realmente não é, mas não consigo me conformar que ele tá morto e eu tô viva. Não consigo deixar de me sentir culpada.
A história toda já foi contada pelo Mendonça, não preciso repetir. O que só eu sei é como estou me sentindo. Eu que tinha indicado ele para a vaga de motorista na minha ex-repartição. Ele tinha 21 anos e até então trabalhava na loja do tio, nunca tinha tido emprego "de verdade", ainda não tinha nem carteira de trabalho. Tava todo orgulhoso, comprou camisas de botão novas pra ir trabalhar. Não recebeu nem o primeiro salário, com o qual ele pretendia dar um churrasco pros amigos pra comemorar o emprego, pagar as contas e dar o restante pra mãe.
Agora ele tá morto e enterrado e eu me sinto culpada. Eu sei que não tenho culpa, que foi uma tragédia aleatória, como tantas outras. Sei que o caso dele não é diferente dos outros baleados em assaltos que vi chegar no hospital enquanto esperava notícias dele. Racionalmente, sei que é simplesmente uma questão de sorte ou azar. Como sou agnóstica e não acredito em deus, destino, alma, espírito, desígnios divinos, sei que é simplesmente, meramente, sorte ou azar, por mais duro que isso pareça. Não vou fingir que acredito que "era o destino", "era a hora dele", "ele foi pra um lugar melhor", "foi a vontade de Deus", "Deus sabe o que faz", "ele está na paz infinita" ou sei lá o que das frases que me ouvi. Sei que todos queriam me confortar. Sei que é muito menos dolorido acreditar nisso. Mas, infelizmente, isso não é pra mim. Ele simplesmente não vive mais e o lugar pra onde ele foi é pra baixo da terra, se decompondo em um caixão frio.
Sei perfeitamente que ele deu azar de passar ali naquela hora. Sou muito prática e racional, afinal, não acredito em Deus porque não faz sentido e não é explicável. Mas sou gente que nem todo mundo e gente também não faz sentido. Apesar de saber de tudo, emocionalmente não consigo deixar de me sentir responsável. De pensar que eu não tinha nada que ter me metido na vida dele. Não consigo deixar de pensar que preferia ele desempregado e vivo. Não esqueço do sorriso dele no almoço do dia das mães me agradecendo a oportunidade.
Eu sei que minha dor não se compara à do pai, da mãe, da irmã, dos tios, dos avós, da bisavó dele e até da madrasta, a minha irmã. Mas só eu sei como estou me sentindo. Meu rosto já tá machucado de tanto chorar e não consigo parar. Não consigo parar de pensar no sorriso dele de aparelho nos dentes. Não consigo parar de pensar que se eu não tivesse me metido na vida dele, hoje provavelmente ele estivesse vivo. Não consigo parar de pensar que agora não existe nada que eu possa fazer, que não tem como voltar atrás, que eu tô viva e ele tá morto.
Sei que ninguém prometeu que o mundo seria justo e que realmente não é, mas não consigo me conformar que ele tá morto e eu tô viva. Não consigo deixar de me sentir culpada.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Escangalhada da estrela
ou Ressaca, teu nome é Roberta
Dói, dói, cabeça dói. Infelizmente, estou na repartição. Obviamente, cheguei atrasada e me arrastando.
O chope dos leitores de ontem foi óóótemo, dos melhores até hoje. Só perde pro que acabou em rodízio de pão na chapa. Bebemos até às 2h da manhã, a conta deu quase 700 reais. Eu fui pra casa porque sou moça trabalhadora, mas a putada mais louca e mais jovem que eu ainda seguiu pro Democráticos. Há fotos confirmando. Agora tô recebendo e-mails confessando que ainda não chegaram no trabalho ou chegaram, mas não passam de uma panqueca sentada em frente ao computador, com os olhos abertos a base de red bull.
Nossa, nem sei o que dizer. Foi tanta gente, conheci tantos leitores novos. Nem dá pra fazer relatório. Conforme for lembrando, vou dando os highlights.
Dói, dói, cabeça dói. Infelizmente, estou na repartição. Obviamente, cheguei atrasada e me arrastando.
O chope dos leitores de ontem foi óóótemo, dos melhores até hoje. Só perde pro que acabou em rodízio de pão na chapa. Bebemos até às 2h da manhã, a conta deu quase 700 reais. Eu fui pra casa porque sou moça trabalhadora, mas a putada mais louca e mais jovem que eu ainda seguiu pro Democráticos. Há fotos confirmando. Agora tô recebendo e-mails confessando que ainda não chegaram no trabalho ou chegaram, mas não passam de uma panqueca sentada em frente ao computador, com os olhos abertos a base de red bull.
Nossa, nem sei o que dizer. Foi tanta gente, conheci tantos leitores novos. Nem dá pra fazer relatório. Conforme for lembrando, vou dando os highlights.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
É hoje!
Então, putada, chegou a hora: é hoje o nosso chope dos leitores. Daqui a poucas horas estaremos tomando chope, conversando e rindo. Sabe que já tô com saudade? Adoro essa nossa tradição inventada. Não esqueçam de levar câmeras fotográficas, quero muitas fotas!
O primeiro que chegar me liga que eu desço... é praticamente na minha esquina. Da última vez esperei sozinha mais de meia-hora antes de aparecer algum puto.
Serviço
Quinta-feira, 4 de junho, a partir das 19h
Bar Mas será o Benedito
Rua Gomes Freire, 599, Lapa
Rio de Janeiro - RJ
******************
Para quem quiser esticar:
Nossa amiga e leitora Eugenia está fazendo uma promo no seu site Agenda Samba&Choro. Estão sendo sorteados 25 convites duplos pro show de hoje à noite, no 3o andar da casa. Corre lá que ainda dá tempo de participar!
O primeiro que chegar me liga que eu desço... é praticamente na minha esquina. Da última vez esperei sozinha mais de meia-hora antes de aparecer algum puto.
Serviço
Quinta-feira, 4 de junho, a partir das 19h
Bar Mas será o Benedito
Rua Gomes Freire, 599, Lapa
Rio de Janeiro - RJ
******************
Para quem quiser esticar:
Nossa amiga e leitora Eugenia está fazendo uma promo no seu site Agenda Samba&Choro. Estão sendo sorteados 25 convites duplos pro show de hoje à noite, no 3o andar da casa. Corre lá que ainda dá tempo de participar!
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Pouca sorte
Saí do trabalho uma hora mais cedo, correndo pra ortodontista, que esta semana me arrumou um horário merda. Pra minha sorte, mal cheguei no ponto e havia uma van. Eu acho pouco digno andar de van, mas naquela situação agradeci aos céus e entrei. Cheguei na Tijuca apenas 7 minutos atrasada. A Ortodontista me atendeu 20 minutos atrasada. Não sei porque levo ela a sério e corro. Enfim.
Para minha sorte (ou não), ela apenas trocou o aro superior por um mais grosso e as borrachas da inferior. Só senti uma pressãozinha quando tava indo embora agora já passou. Pensei que ela ia me meter o borrachão assassino, mas vai ficar pra outra semana. Por enquanto, ela tá botando fé na mola que tá empurrando meu canino.
Saí esbaforida e me joguei no metrô, morrendo de fome. Até que não tava abarrotado ainda, apenas cheio. Liguei para o consultório da dermatologista avisando que ia atrasar. "Ih, mas hoje ela tá no horário, não sei se vai dar tempo de vc chegar. Você vem de qualquer jeito e a gente vê o que dá pra fazer."
Cumequié? Da outra vez esperei quase duas horas. Quando fui marcar esta sessão questionei o horário, apertado para mim, e a recepcionista me tranquilizou "liga não, ela sempre atrasa no mínimo uma hora".
Desci na estação Siqueira Campos e peguei o metrô de superfície. Quando ele tá chegando no Arpoador toca o cel. "Dona Roberta, ela já tá indo embora, não vai dar tempo. Me liga amanhã que a gente remarca pra segunda". Porra, por que não remarcou logo pra segunda quando eu disse que tava atrasada?". Ca-ga-lho! Me despenquei da Tijuca pra Ipanema à toa! Da Praça Saens Pena tem um ônibus que passa na minha porta!
Desci na estação seguinte, General Osório, e tentei aproveitar pra comprar umas tranqueiras antes de vir pra casa. Entrei na Americanas Express e enchi a cestinha de buginganga úteis, como xampu, esmalte, meias, calcinhas, essas coisas que nunca são demais, pra ver se me acalmava. No caixa, começa uma confusão. Só uma mocinha não exatamente safa para atender e muitas velhotas impacientes na fila. Uma delas quer fazer uma troca e a mocinha não sabe fazer. Mocinha liga pra outra mocinha vir ajudar. Soltei um "puta-que-pariu, não vou comprar merda nenhuma", larguei a cestinha no balcão e fui embora bufando. Ca-ga-lho.
Estou quase sem xampu e pasta de dente! Até pensei em entrar numa farmácia, mas com aquela friaca, desisti. Me joguei num 464 e vim pra casa congelando no ônibus. Dei uma arrumada na casa que tava um pandemônio, comi minha ração noturna com um copo de coca zero e vim blogar, porque alguma alegria eu tenho que ter na vida.
Pensar que eu poderia ter feito meu roteiro de farmácias tijucanas com calma, ainda ido na Dermage comprar meu mousse facial, tomado um café expresso no Palheta da Drogaria Venâncio e vindo pra casa alegrinha, alegrinha com minha sacola de compras de farmácia, minhas favoritas. A esta altura teria vários xampus e condicionadores pra escolher, cremes, hidratantes, bisnagas de Sensodyne de diversos calibres e sabores, um frascão de 1l de Plax transparente, quem sabe até um sabonete líquido ou esfoliante bem cheiroso pra alegrar meu banho de amanhã... ai, ai, ai. Como a vida é injusta às vezes.
Para minha sorte (ou não), ela apenas trocou o aro superior por um mais grosso e as borrachas da inferior. Só senti uma pressãozinha quando tava indo embora agora já passou. Pensei que ela ia me meter o borrachão assassino, mas vai ficar pra outra semana. Por enquanto, ela tá botando fé na mola que tá empurrando meu canino.
Saí esbaforida e me joguei no metrô, morrendo de fome. Até que não tava abarrotado ainda, apenas cheio. Liguei para o consultório da dermatologista avisando que ia atrasar. "Ih, mas hoje ela tá no horário, não sei se vai dar tempo de vc chegar. Você vem de qualquer jeito e a gente vê o que dá pra fazer."
Cumequié? Da outra vez esperei quase duas horas. Quando fui marcar esta sessão questionei o horário, apertado para mim, e a recepcionista me tranquilizou "liga não, ela sempre atrasa no mínimo uma hora".
Desci na estação Siqueira Campos e peguei o metrô de superfície. Quando ele tá chegando no Arpoador toca o cel. "Dona Roberta, ela já tá indo embora, não vai dar tempo. Me liga amanhã que a gente remarca pra segunda". Porra, por que não remarcou logo pra segunda quando eu disse que tava atrasada?". Ca-ga-lho! Me despenquei da Tijuca pra Ipanema à toa! Da Praça Saens Pena tem um ônibus que passa na minha porta!
Desci na estação seguinte, General Osório, e tentei aproveitar pra comprar umas tranqueiras antes de vir pra casa. Entrei na Americanas Express e enchi a cestinha de buginganga úteis, como xampu, esmalte, meias, calcinhas, essas coisas que nunca são demais, pra ver se me acalmava. No caixa, começa uma confusão. Só uma mocinha não exatamente safa para atender e muitas velhotas impacientes na fila. Uma delas quer fazer uma troca e a mocinha não sabe fazer. Mocinha liga pra outra mocinha vir ajudar. Soltei um "puta-que-pariu, não vou comprar merda nenhuma", larguei a cestinha no balcão e fui embora bufando. Ca-ga-lho.
Estou quase sem xampu e pasta de dente! Até pensei em entrar numa farmácia, mas com aquela friaca, desisti. Me joguei num 464 e vim pra casa congelando no ônibus. Dei uma arrumada na casa que tava um pandemônio, comi minha ração noturna com um copo de coca zero e vim blogar, porque alguma alegria eu tenho que ter na vida.
Pensar que eu poderia ter feito meu roteiro de farmácias tijucanas com calma, ainda ido na Dermage comprar meu mousse facial, tomado um café expresso no Palheta da Drogaria Venâncio e vindo pra casa alegrinha, alegrinha com minha sacola de compras de farmácia, minhas favoritas. A esta altura teria vários xampus e condicionadores pra escolher, cremes, hidratantes, bisnagas de Sensodyne de diversos calibres e sabores, um frascão de 1l de Plax transparente, quem sabe até um sabonete líquido ou esfoliante bem cheiroso pra alegrar meu banho de amanhã... ai, ai, ai. Como a vida é injusta às vezes.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Autoflagelo
Amanhã vou sair correndo do trabalho, pegar o 665 e rezar para não perder a hora da ortodontista. É dia de apertar o aparelho. Sabe-se lá que torturas novas ela está maquinando, mas anda toda animadinha a me meter elásticos entre as arcadas.
Depois pego o metrô e corro mais em direção à Ipanema, rezando para não ser esmagada na hora do rush e pra dermatologista atrasar tanto quanto o de costume. É dia da minha segunda sessão de depilação definitiva, sairei de lá com a virilha frita. Claro, na saída marcarei a terceira sessão e outra consulta pra tostar mais alguns hemangiomas, isso se os primeiros nao virarem quelóides. Quem sabe, agendo até de começar a queimar a cara pra descascar que nem cobra, como disse uma leitora. Tô nem aí, como disse a dermatologista, tudo que é bom dói e mulher aguenta o tranco.
Não quero pensar no meu mau humor quando estiver voltando pra casa, morrendo de fome, com os dentes doendo e querendo andar de pernas abertas. Ah, claro, vou ter que ir de saia, mesmo com esse frio do capeta. Dizem por aí que biscate não sente frio, mas sou mega friorenta.
É, acho que amanhã não vai ser um dia melhor.
Depois pego o metrô e corro mais em direção à Ipanema, rezando para não ser esmagada na hora do rush e pra dermatologista atrasar tanto quanto o de costume. É dia da minha segunda sessão de depilação definitiva, sairei de lá com a virilha frita. Claro, na saída marcarei a terceira sessão e outra consulta pra tostar mais alguns hemangiomas, isso se os primeiros nao virarem quelóides. Quem sabe, agendo até de começar a queimar a cara pra descascar que nem cobra, como disse uma leitora. Tô nem aí, como disse a dermatologista, tudo que é bom dói e mulher aguenta o tranco.
Não quero pensar no meu mau humor quando estiver voltando pra casa, morrendo de fome, com os dentes doendo e querendo andar de pernas abertas. Ah, claro, vou ter que ir de saia, mesmo com esse frio do capeta. Dizem por aí que biscate não sente frio, mas sou mega friorenta.
É, acho que amanhã não vai ser um dia melhor.
Tá, eu confesso
Não estou mais com raiva, depois que tantos amigos me escreveram avisando que me amavam e era pra eu descer do queijo. Agora tô só um pouquinho tristebunda, mas só um pouquinho. Vou dormir que melhora.
Não seja idiota
É claro que se eu te escrevi você pode e deve ignorar a solicitação anterior e me responder, afinal, também odeio quem não responde meus e-mails.
Raiva
Eu sou uma pessoa que sente raiva. Sinto muita raiva de muita coisa e de muita gente. Não me dou ao trabalho de matar ninguém, mas ficaria mais alegre se algumas pessoas morressem. Acho que alguns óbitos, inclusive, mereceriam champagne pra comemorar.
Meus ódios são todos de estimação, não pretendo me abrir mão deles. Se um dia se forem, tudo bem, mas não vou trabalhar para isso. São que nem meus preconceitos, tudo coisa de estimação: não fere ninguém, não serve pra nada, mas tenho apego. Além do que, eu pago meu macarrão e posso odiar à vontade. Não acho errado, não tenho culpa, nem considero falta de educação. Eu posso pensar o que quiser e bem entender do que e/ou quem quiser e bem entender. Posso até pensar que você é um repolho mutante. Indelicado seria eu te contar isso.
Não odeio só pessoas, atitudes e idéias, sabe? Odeio também algumas cidades, com a implicância resvalando para os nascidos em tal localidade desgraçada. Odeio formatos de cabeça, cores de esmalte, tipos de sapato, cortes de cabelo. Claro, o portador de tais itens personifica meu desprazer e passa a ser o objeto do meu ódio. Como eu disse, nada grave. Afinal não é errado ser assim, só é odioso, mas não vou matar ninguém. Só vou... odiar.
Quer saber? Eu te odeio. Morra. Eu quero que você morra. Às vezes fantasio dar um tiro na sua cabeça, mas como não vou fazer isso (sequer sei manusear arma de fogo e, de qualquer jeito, acho anti-higiênico), apenas aguardo o dia triunfante do seu velório. Se for morte dolorosa melhor. Fantasio pogar ensadecida no seu enterro e cuspir na sua sepultura, mas não vou me dar a esse trabalho. Apenas sorrirei e, talvez, brindarei.
Já que você é uma bosta ambulante que não serve para nada - além de tornar o mundo um lugar pior de se viver - e sua existência é perniciosa ao equilíbrio do universo, por favor, tenha a delicadeza de falecer, faça alguma coisa que preste pelo menos.
O que? Quem eu odeio com tanta sofreguidão? Jamais saberás.
Meus ódios são todos de estimação, não pretendo me abrir mão deles. Se um dia se forem, tudo bem, mas não vou trabalhar para isso. São que nem meus preconceitos, tudo coisa de estimação: não fere ninguém, não serve pra nada, mas tenho apego. Além do que, eu pago meu macarrão e posso odiar à vontade. Não acho errado, não tenho culpa, nem considero falta de educação. Eu posso pensar o que quiser e bem entender do que e/ou quem quiser e bem entender. Posso até pensar que você é um repolho mutante. Indelicado seria eu te contar isso.
Não odeio só pessoas, atitudes e idéias, sabe? Odeio também algumas cidades, com a implicância resvalando para os nascidos em tal localidade desgraçada. Odeio formatos de cabeça, cores de esmalte, tipos de sapato, cortes de cabelo. Claro, o portador de tais itens personifica meu desprazer e passa a ser o objeto do meu ódio. Como eu disse, nada grave. Afinal não é errado ser assim, só é odioso, mas não vou matar ninguém. Só vou... odiar.
Quer saber? Eu te odeio. Morra. Eu quero que você morra. Às vezes fantasio dar um tiro na sua cabeça, mas como não vou fazer isso (sequer sei manusear arma de fogo e, de qualquer jeito, acho anti-higiênico), apenas aguardo o dia triunfante do seu velório. Se for morte dolorosa melhor. Fantasio pogar ensadecida no seu enterro e cuspir na sua sepultura, mas não vou me dar a esse trabalho. Apenas sorrirei e, talvez, brindarei.
Já que você é uma bosta ambulante que não serve para nada - além de tornar o mundo um lugar pior de se viver - e sua existência é perniciosa ao equilíbrio do universo, por favor, tenha a delicadeza de falecer, faça alguma coisa que preste pelo menos.
O que? Quem eu odeio com tanta sofreguidão? Jamais saberás.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
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