quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dia difícil...

O dia se mostrou não auspicioso já cedo. Levantei da cama sem nenhuma vontade de levantar da cama e fui tomar banho pra acordar. Havia uma barata na minha tolha! Tudo bem, não era um baratão, era daquelas 'francesas' loirinhas, mas porra, era uma barata. Claro que tive que me dar ao trabalho de matar a bruta, trocar todas as toalhas e ainda limpar a cagada que fiz com o spray de inseticida pelo banheiro (e olha que meu banheiro é uma caixa de sapato, já que moro num armário embutido).

Não é auspicioso acordar e dar de cara com uma barata antes de tomar banho!

***

Mas ok, vida que segue, tomei banho, me arrumei e fui tentar marcar uma merda de uma consulta com um clínico geral para pegar um caralho de um atestado médico para fazer matrícula na academia. Ê raça indolente, comecei pela letra 'a' do livro do plano de saúde e desisti na 'f' porque já tava atrasada. Levei o cacete do livro na bolsa pra continuar minha empreitada no trabalho.

Antes de pegar o ônibus, resolvi passar no sapateiro para mandar colar dois pés de sapatos (de pares distintos) que abriram dando topadas nas bem conservadas calçadas cariocas. A porra do velho maluco sapateiro não quis ficar com meus sapatos. Me fez esperar pra levar comigo. "Moço, eu deixo pago, passo aqui pra pegar quando voltar do trabalho". Nada feito. O velho biruta não quis a responsabilidade de hospedar meus sapatinhos até às 17h30. Resolvi fazer uma cópia da chave de casa enquanto esperava, pois a faxineira vem na quarta. O chaveiro era lerdo e tava ocupado, o sapateiro já tava me espanando com meus dois pés de sapatos recém-colados, fui embora sem chave.

O ônibus tava um forno, mas cheguei sem problemas na repartição. Parecia que minha pouca sorte matinal havia terminado. Humpf. A manhã foi produtiva e consegui dar cabo de várias pendências. Tinha combinado almoçar com menina Graciana. Na verdade, ela ia fazer a caridade de deixar de comer a comidinha gostosa que traz de casa para engolir a gororoba do restaurante do sindicato. Eu tinha que ir lá pegar um papel e, como fica do outro lado do campus, requisitei sua companhia. Trabalhamos em prédios vizinhos, o dela no sopé do morro e o meu no cume. Tudo bem, cume é exagero, afinal, não é assim uma montanha, é um montinho, mas vai subir aquela merda todo dia pra ver como e bom. Bem, marcamos 13h ao pé da ladeirinha que une os dois pavilhões. Só na descidinha quase assei. Já tinha pensando 'vamos desidratar na caminhada', mas pretendia perseverar, afinal, tinha feito a moça não trazer comida e, de qualquer jeito, o posto médico fica ao lado do sindicato. Qualquer coisa já me jogava lá mesmo, mas não foi preciso. Assim que cheguei ela disparou "você precisa mesmo ir lá hoje?". "Melhor deixar pra quando chegar uma frente fria, né?". Fomos comer no restaurante xexelento de todos os dias. Até que a lasanha vegetariana não tava ruim.

***

Tudo bem, a vida é bela e vamos em frente. Até fiz café pra animar a tarde. Às 17h vazei, pois tinha marcado hora pra pintar o cabelo, mas queria desovar a bolsa pesada com dois pares de sapato e um guia orientador Unimed em casa antes de ir pro salão. Engarrafamento do capeta. Peraí, caralho, nem é sexta, nem é véspera de feriado, que porra de trânsito é esse? Sei lá, mas sei que me fodeu, perdi a hora do salão. Bom, vou pra casa, tomar um banho gelado, fazer uma massagem nos pés com um hidratante para pernas e pés cansados e deitar pelada na minha caminha de percais brancos e cheirosos. Ao chegar na portaria duas boas notícias! Chegou meu cartão de crédito novo e a edição de novembro da revista Elle. Ai, que delícia, vou saber todas as tendências da moda enquanto me refastelo. Tolinha.

Atrapalhada com a bolsa pesada e a correspondência, não acho a chave na bolsa. Caralho, e essa merda de luz do corredor que apaga o tempo todo. Cadê essa chave, porra? Dou uma sacodida na bolsa e nem barulho ouço. Começo a ficar nervosa. Jogo a correspondência em cima do tapede de gatinhos e fuço a bolsa. Nada. Viro a bolsa em cima da correspondência, chafurdo na tranqueira e nada. Futuco os bolsinhos recônditos. Nada. Sento no chão e espalho a tranqueira, quase em desespero. Nada. Daí lembro que, na hora que fui almoçar, com medo de sucumbir à canícula, eu havia tirado tudo da bolsa que não ia precisar naquele momento. Enfiei tudo na gaveta e, obviamente, esqueci na volta. Sim, a chave tinha ficado na primeira gaveta da minha mesa na repartição, a esta hora, trancada.

E agora, José? Choro? Rasgo a roupa? Grito? Chamo o chaveiro? Mantenha a calma, Roberta. Liguei pra Graciana, às vezes ela fica até tarde na repartição, podia tentar arrombar meu prédio pra recuperar minha chave. Não atende. Ligo pra minha irmã, que tem uma cópia da minha chave e trabalha no Centro. "Ih, irmã, mudei de bolsa que tava muito pesada e dei uma limpa. Tua chave não tá aqui". Pra que que irmã serve, hein? Pra nada, né? Xinguei e desliguei. Liguei para companheira J.K., vizinha, pedindo abrigo. Lá tomei um banho e duas cervejas, pra recuperar opoder de raciocínio. Há outra cópia, em poder de O Orientador, que mora no Arpoador, mas tudo bem. O que é atravessar a cidade na hora do rush para quem está semi-sem-teto, né?

"Vem pra cá, traz Juliana, vocês jantam aqui". Não dá, tenho aula de francês amanhã às 8h30 e tenho que embalar uma merda de um espelho que comprei e veio com a moldura rachada. Os desgraçados vêm buscar amanhã". Já tinha desistido de entrar em casa, me conformado em dormir com Juliana e suas gatas, entubar o preju do espelho e ir trabalhar com o mesmo vestido suado no dia seguinte. Liguei pra um amigo com quem tinha combinado sair pra avisar que o programa tinha mixado. Rá! Moço gentil, se ofereceu pra ir de moto buscar a chave com O Orientador e trazer para mim. Ah, quem tem amigos tem tudo na vida!

***

A essa altura, já tinha mandado tudo pro caralho e desencanado. Já eram quase 21h, fui pro Bar do Peixe com a Ju: a última coisa que eu tinha comido tinha sido o almoço com a Graci, às 13h. O amigo gentil aguardava a chegada de O Orientador em casa para ir buscar minha chave. Finalmente, passei o endereço e avisei que ele podia ir. A vida é mais bela depois de uma porção de sardinhas fritas e batatas com alcaparras. Voltamos pra casa a tempo de eu tomar outro banho antes do meu amigo chegar. Ele ainda foi buscar a namorada na Tijuca. Finalmente, quase 23h, reouve minha chave. Tomei mais uns chopinhos com o gentil casal, comi um pouco de escondidinho, colocamos o papo em dia e. Às 23h50 consegui abrir a bendita porta e entrar em casa.

Puta que pariu.

22 comentários:

Nadia disse...

melhor que ir dormir (tentar...) com a amiga desmaiada na minha cama (depois de 359 cervejas, pressão baixa, dor de estômago e muito trabalho...) 1 da manhã de 5ª feira!
Eu quero baratas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Nadia disse...

Bem, eu tenho medo de baratas......
aliás, de qualquer inseto voador...

Roberta disse...

Nadia, você tá bem?

Nadia disse...

querida, eu estou, mas minha amiga (e chefe...) tá la jogada na minha cama. Vou verificar pulso e tals de meia em meia hora...
Justo hoje, qua minha sogra chegou de viagem e meu marido não está em casa pq foi buscá-la no aeroporto e ia dormir por lá...
Valeu Roberta, to só me aproveitando de sua "intimidade"! rsrsrs

Taísa disse...

Mas e aí, Roberta? O que você fez então??

Nadia disse...

Putz! que merda!!!!!

Dona Mila disse...

Viu como tudo se resolve? E na pior das hipóteses, rende história!

Ai, preciso tanto de uma cerveja, mas antes preciso me curar da gripe.

Saudades!

Paulinhaaa disse...

Huashuashaushasu ri horrores commos comentários rsrsrsrs
Que dia de cão hein!!!
Bjs

Vinicius disse...

Fala sumida... Vamos beber pra esquecer dos "pobremas"! Beijos...

Livia disse...

oi Roberta, eu sou leitora do seu blog faz tempo, mas dificilmente comento..mas dessa vez vc se superou, rsrsrs.... o mundo conspiou contra vc esse dia hein... mas vc é uma guerreira e esses fiáscos diários não abalam sua beleza!!!
super poderosa -ativar!!!

beijos

Beatriz Fontes disse...

E eu achando que meu dia ontem tinha sido ruim... Bem que eu achava que um dia em cuja manhã os termômetros já marcavam 32ºC não poderia ser bom mesmo! Ônibus com ar quebrado de manhã, uma ida infrutífera na hora do almoço à praça Tiradentes (depois de um megaengarrafamento na ida, decidi voltar a pé para as cercanias do aeroporto, onde trabalho) e um metrô sem ar na volta para o lar... Nada disso se compara a chegar em casa, depois de um dia horroroso, e descobrir que a chave ficou longe, beeem longe.

Eugenia disse...

meu Deus! o q Bia Fontes está fazendo aqui? como vcs se conheceram? se bem que eu falo dos blogs pra todas as minhas amigas..risos.
beijos, Bia e Rô.

Eugenia disse...

amiga, sai desse prédio, procura logo o apto. vc ligou p/aquele número q eu anotei, q fica grudado na entrada do cores da lapa?
o cores seria perfeito pra ti.

Fernanda disse...

urubu cagou na tua cabeça, hein?

manda isso pro bruno mazzeo. qdo for pra TV, todo mundo vai rir horrores!
bjo

Beatriz Fontes disse...

Eugenia: Sua presumida... :-P Eu não estou aqui por sua causa, não. Caí de paraquedas, já nem lembro por quê. A internet é fantástica, faz a gente ultrapassar barreiras... E descobrir que o mundo é uma porra dum ovinho minúsculo. Não tem jeito. E, bem, eu não conheço a Roberta. Mas comento mesmo assim, sempre que tenho vontade.

PS: Não respondi ao seu último torpedo porque simplesmente não deu... Essa semana tá foda. Suas férias vão até quando? Ah, vou te ligar! Beijo.

Helga disse...

Cacete, cansada só de ler o teu causo.

Gabriel Freire disse...

Lei de Murphy, Teoria da Conspiração...

muuito bom!

Roberta disse...

Cês adoram uma desgraça, né? Foi só eu me fuder pra aparecerem 17 comentários!

Helga disse...

É qual refresco. Né pessoal não.

P.S.: Faltou chover pra melhorar a história. :D

Renata Saintive disse...

dias assim sao looonnnggooossss...

Roberta disse...

Acordei exausta hoje.

Ton disse...

aahahah....puta que pariu que dia...pq vc não escreve um livro? Sou seu fã viu moça!